Nosso segundo encontro

Como disse no post sobre o parto do Davi, eu só fui reencontrar meu filho depois de 12h e na UTI. Depois que ele nasceu eu fiquei muito feliz, mas mais aliviada por finalmente ter visto o meu pequeno vivo. Falo isso pois com 19 semanas, a médica que me atendeu no PS, quando tive a última hemorragia, disse para a minha médica que o Davi não aguentaria e usou as palavras: "Ela vai perder esse bebê". Isso a minha médica só me contou quando eu estava com 35 semanas. O alívio em vê-lo veio daí, ele estava vivo, vencendo todas as previsões pessimistas! Nós nunca tivemos dúvidas que Davi nasceria, eu tinha aquele sentimento de mãe que ele estava bem e lutando pela vida! Bom, voltando ao assunto, após o parto eu estava nas nuvens...eu fechava os olhos e ficava lembrando do rostinho dele e de tudo o que tínhamos passado juntos. Mas as horas foram passando e a saudade aumentando. No final da tarde eu já estava chorando e querendo ele pertinho de mim. O Léo estava mais tranquilo, pois tinha visitado ele e visto que estava sendo muito bem cuidado. Estava quentinho e se alimentando pelo soro. Na UTI em que ele ficou, a visita da mãe é liberada o dia inteiro, mas eu só fui saber disso, na visita do pai às 20h. Então às 20h lá fomos nós! A UTI era longinha do meu quarto e nesse primeiro momento o Léo me levou de cadeira de rodas, depois fui na raça, caminhando mesmo e entreguei a minha recuperação nas mãos de Deus, já que tive que abusar para poder estar ao lado do Davi. Tinha dias que achava que minha incisão ia abrir a qualquer momento, de tanto esforço que fiz. E devido ao repouso da gravidez, meus músculos das pernas estavam atrofiados, o que gerava esforço duplo e muita dor depois de andar. Mas naqueles dias nada disso importava!

O primeiro encontro foi doído. Não imaginava que ele precisaria de uma sonda para drenar possíveis líquidos do estômago e posteriormente para se alimentar e de um acesso venoso para o soro glicosado, para evitar hipoglicemia. Nessas horas não sou enfermeira...sou mãe mesmo e na minha ignorância não imaginava que ele precisaria de tudo isso. O Léo me ensinou toda a rotina da UTI...a lavar as mãos, a usar o álcool gel e abrir e fechar a incubadora sem assustar o bebê. Foi engraçado pois ele já conhecia todas as mães e foi cumprimentado uma a uma...kkkkk. Achei fofo!
Como disse, foi doído vê-lo daquele jeito. Tocar nele foi ao mesmo tempo gostoso e sofrido. Ele era tão pequeno...
Mas como disse, o tamanho na UTI é relativo...conhecemos bebês muito menores e alguns maiores também.
Nessa noite, voltar e dormir no quarto sem ele foi difícil, mas eu estava mais tranquila por ter visto que ele estava sendo muito bem cuidado.
No dia seguinte, à9h (horário da mamada) eu já estava lá de novo...fiquei até às 10h esperando o Léo. No boletim médico, fui avisada que o leite seria introduzido pela sonda e eles observariam a aceitação...nesse mesmo dia à tarde ele já iniciou com 5ml de leite materno doado, no copinho. Nesse dia, fui e voltei algumas vezes na UTI só pra tocar o Davi e mostrar que eu estava presente. No dia seguinte pela manhã, fui avisada que poderia tentar amamentar já no próximo horário, às 12h. Nesse horário, o Léo me acompanhou novamente até a porta da UTI, eu me lembro de estar tremendo e o Léo me disse que era nervoso...e era! Eu ia pegar pela primeira vez o meu filho! Ele ainda estava com a sondinha e o soro...se amamentar sem sonda já é difícil, imagina com! Mas foi demais! Ele pegou o peito, claro que por pouco tempo e ainda timidamente por ser prematuro e não ter tanta força. Para não perder tanta energia, ficamos só um pouco juntos e logo a enfermeira deu o leite materno doado no copinho...começando com 5ml. Tiraram a sonda, pois ele já estava aceitando bem o leite via oral. Mais uma vitória!
As visitas dos pais eram às 10h, 17h e 20h, e eu ia em todas com o Léo e ainda ia nos horários das mamadas, conciliar isso com as visitas na maternidade foi difícil, mas acho que todo mundo entendeu o motivo da minha ausência...eu precisava estar presente pro meu filho...toda vez que eu pensava que ele estava sem a sua família na UTI, me partia o coração...como mil facas no peito.
image Eu em um dos meu intervalos do quarto...

No domingo, ele foi diagnosticado com icterícia e iniciou a fototerapia...ao mesmo tempo teve alta para a semi-intensiva! Comemoramos! Na semi-intensiva os bebês ficam no bercinho e não na incubadora.

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Eu continuei indo amamentar a cada 3h e em todas as visitas do pai. Ele ficou quase 3 dias na luz e no final ele já estava irritado com aquele óculos tampando os olhinhos e com a própria luz...tanto é que quando desligávamos a luz, ele acalmava.
A Segunda-feira chegou e eu tive alta...decidimos não ficar em hotel, mas sim deixar as malas num maleiro e passar o dia no hospital, já que a cada 1h eu tinha que ir na semi. A previsão de alta do Davi era na terça...então passamos o dia lá, o que foi bem cansativo, pois tínhamos que sair do hospital para comer e lá ia eu andar e andar com o corte da cesárea "gritando"! A Pro Matre tem uma estrutura muito boa para as mães da UTI, no lactário (onde tiramos os leite a hora que quisermos) há uma sala com sofás, TV, lanches, sucos, banheiro e armários. Não é um hotel, mas é um lugar de descanso e até de bate-papo. Lá percebi que eu não tinha do que reclamar...mães com filhos há 6 meses na UTI, que nasceram com 600g...uma lição de vida! Quem já passou por isso sabe que um dia na UTI é como se fosse 1 mês! Eu digo que passei 5 meses no hospital.

Nesse mesmo dia a médica da semi auscultou um soprinho no coração do Davi e solicitou um ecocardiograma que foi feito rapidamente e o resultado foi normal...só mais um excesso de cuidado.

À noite fomos para casa...saí de lá cansada, frustrada por estar lutando para amamentá-lo (assunto para outro post) e triste por estar deixando ele sozinho...

Posso dizer que foi um dos dias mais difíceis da minha vida, mas que encarei com otimismo...tinha fé que ele sairia no dia seguinte e viria pra casa comigo!

Arrumamos tudo para a chegada dele, preparamos o berço, as mamadeiras...o quartinho. Devido a correria da chegada dele, algumas coisas ainda não estavam prontas!

Dormimos a última noite sem ele...e às 6h da terça eu já estava de pé...ansiosa!

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Demoramos 2h pra chegar no hospital, pois teve um acidente na Marginal Tietê que parou toda a Castello Branco...quase perdi a mamada das 9h! Chegando lá a boa notícia: Davi teria alta! Com 2,150g e 43cm.

image Terminei de amamentar e fui correndo avisar o Léo...que não conteve a emoção! E desde o dia 21/5 Davi está nos meus braços! Valorizo cada momento com ele...inclusive os difíceis, quando ele só quer saber de dormir e nada de pegar o peito. Nessa semana visitou a pediatra e engordou 160g. Mais uma vitória!

De tudo isso, aprendi muitas lições...me sinto privilegiada por ter passado por tudo o que passei, pois hoje sou um ser humano melhor. Não desejo a UTI pra ninguém, mas se você passar por isso, se sinta especial, afinal, não é pra qualquer um!
Admiro ainda mais aqueles bebês, os profissionais e os pais...desejo força para todos!

Mais uma vez peço desculpas pelas palavras confusas, mas é assim que as ideias se apresentam para mim...além disso tenho que aproveitar o Davi dormindo e escrever rapidinho...kkkkkk.

Por aqui, mãe, pai e filho passam bem! O feriado será bem quentinho no nosso cantinho!

Bjs e um ótimo dia!

Van ;)

4 comentários:

  1. Vanessa, nao esta nada confuso, da pra entender (e imaginar) tudo! Esse fds fez frio e eu lembrei de vcs, que deveriam estar aquecendo ele com todo cuidado!
    Volte logo quando der, sempre venho procurar noticias!

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  2. Lindo!!! Que Deus abencoe cada dia, dessa nova etapa! Bj

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  3. Oi Lorena! Fez frio mesmo, mas ficamos bem quentinhos em casa, como vc imaginou...pode deixar q volto sim com notícias! Bjs, Van ;)

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  4. Oi Gabriela! Amém! Cada etapa um novo desafio e essa é a graça da vida, né? Bjs, Van;)

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